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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Do Crescimento Forçado à crise da Dívida Externa

Introdução

No início dos anos 70 ocorreram mudanças no âmbito internacional que afetaram de forma grave a economia brasileira. O acordo de estabilização da taxa de câmbio internacional foi rompido e o petróleo, que na época era a principal fonte de energia mundial, teve seu preço quadruplicado em 1973 pelos países membros da OPEP.

O Brasil, assim como a maior parte do mundo, reagiu de forma recessiva diante dessas mudanças.

A partir de 1974, o Brasil implementou o II Plano Nacional de Desenvolvimento (II PND) que na época era uma obrigação constitucional que todo governo lançasse um PND. A partir desse período deu-se início ao período de recessão chamado Crise da Dívida Externa.


II Plano de Desenvolvimento Nacional (PND)

O rápido crescimento provocado pelo Milagre Econômico causou alguns desequilíbrios que viriam a gerar problemas inflacionários e na balança comercial.

Ernesto Geisel havia assumido a presidência e necessitava de uma maior taxa de investimento do que o governo anterior para manter as taxas de crescimento. Nesse contexto as opções de crescimento eram: AJUSTAMENTO e FINANCIAMENTO.

O Ajustamento buscava frear a demanda interna e evitar que o choque externo se transformasse em inflação.

O Investimento matinha o crescimento elevado enquanto houvesse financiamento externo.

Em 1974 o ministro Mario Henrique Simonsen optou pela opção de ajustamento, que não pode ser levada adiante por conta da quebra do banco Halles. Então, no fim de 1974, o II PND traçou uma estratégia de financiamento, porém, promovendo um ajuste na estrutura de oferta de longo prazo, mantendo assim a economia funcionando em ritmo de marcha forçada.

Deste modo, buscou-se alterar a estrutura produtiva brasileira, na tentativa de, ao longo prazo, diminuir as importações e aumentar as exportações. Para isso, era necessário financiamento por meio de empréstimos externos.

O II PND tinha como meta aumentar o PIB em 10% a.a. e a indústria em 12% a.a. A meta não foi alcançada, porém, manteve-se o crescimento em um nível mais baixo.

Apesar das taxas de crescimento terem sido menores, ocorreram mudanças estruturais na economia como, por exemplo, o crescimento significativo dos setores industrial (35%), metalúrgico (45%), de material elétrico (49%), de papel e papelão (50%) e químico (48%), além do setor têxtil (26%), de alimentos (18%) e de material de transportes (28%).

No período do Milagre Econômico visava-se um crescimento do setor de bens e consumo. O Plano mudou as prioridades direcionando o crescimento para o setor produtor de meios de produção, tendo como objetivo gerar demanda e assim estimular o setor privado a investir no setor de bens de capital. Além de garantir a demanda, foram dados incentivos fiscais ao setor privado.

Havia dois problemas centrais na execução do Plano: o apoio político e os financiamentos. Em relação a questão do apoio político foi trabalhada a descentralização espacial dos projetos de investimentos, onde o governo passou a investir nos estados menores, principalmente no Nordeste, criando grandes indústrias, metalúrgicas e petroquímicas.

Quanto ao problema de financiamentos, as empresas estatais foram financiadas com recursos externos, criando assim o processo de estatização da dívida externa. Já as empresas privadas foram financiadas por agências oficiais como o BNDES.


A HETERODOXIA DELFINIANA

O final da década de 70 foi um período de muitas transformações no âmbito econômico. Geisel saia da presidência para a entrada de Figueiredo; em 1979 ocorreu o segundo choque do petróleo e a elevação das taxas de juros internacionais, o que causou naquele ano um aumento na inflação, subindo para 77% a.a. com tendências aceleracionistas. Esses acontecimentos e a ameaça de uma profunda queda econômica resultaram na substituição do ministro do planejamento. Saia Simonsen e entrava Delfim Netto.

Delfim neto adotou como primeiras medidas:

- Controle sobre as taxas de juros

- Expansão dos créditos para agricultura

- Criação da Secretaria Especial das Empresas Estatais

- Maxidesvalorização do cruzeiro em 30%

- Correção monetária e cambial em 50% e 45%

Essas medidas resultaram numa aceleração inflacionária para 100% a.a., na ampliação da dívida externa e na retração do sistema financeiro.


A CRISE DA DÍVIDA EXTERNA

Em 1980, devido à maxidesvalorização cambial, o governo adotou uma política ortodoxa de ajustamento voluntário. O resultado permaneceu sendo o excesso de demanda interna.

O Brasil passou a implementar o processo de ajustamento externo, através da busca de superávits, processo que se aprofundou em 1982 sob tutela do FMI. Tal política tinha como objetivos:

- Conter a demanda excessiva da redução do déficit público, dos gastos e dos investimentos, o aumento da taxa de juros interna e a redução do salário real.

- Tornar a estrutura de preços favoráveis ao setor externo, incentivando à exportação e a competitividade da indústria brasileira.

Os resultados da política foi uma profunda recessão em 81, 82 e 83. Porém no final de 1983, observou-se uma reversão no saldo da balança comercial, devido em parte a esta recessão que causou grande queda nas importações. Em 1984, manteve-se novamente o superávit, mesmo com a recuperação do produto, o que mostra o sucesso do II PND que ocasionou mudanças estruturais na economia.

O ajustamento da balança comercial trouxe consigo um problema. As obrigações da dívida externa não eram direcionadas igualmente entre os setores. Sendo assim, 80% da dívida eram do setor público por conta do processo de estatização da dívida externa. Esse é o problema interno do ajuste externo.

Para adquirir divisas, o governo começou um processo de transformação da dívida externa em dívida interna. Esse processo causou a queda do partido e impulsionou o movimento das “Diretas Já”. Foi nesse clima que terminou o Regime Militar e se iniciou a Nova República, com a esperança de fazer os ajustamentos, sem impor sacrifícios à população.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Keynes x Hayek - Economia


No vídeo: Fear the Boom and Bust, John Maynard Keynes e F. A. Hayek, dois dos maiores economistas do século XX voltam a vida para participar de uma conferência de economia. Antes da conferência, por insistência do Senhor Keynes, eles saem para uma noite na cidade e cantam sobre o motivo de existir um ciclo de "boom and bust" (retração e expansão) na economia moderna e bons motivos para temer isso.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Impostos e consequências

"O imposto de renda de pessoa física e suas alíquotas progressivas, o imposto de renda de pessoa jurídica, o imposto sobre heranças e o imposto sobre ganhos de capital são todos pagos com fundos que de outra forma teriam sido poupados e investidos. Todos esses impostos reduzem a demanda das empresas por mão-de-obra - em relação à demanda que haveria sem os impostos — e, consequentemente, reduzem ou os salários ou o volume de emprego que essas empresas podem oferecer, uma vez que os impostos destituem as empresas dos fundos com os quais pagariam esses salários."

"Similarmente, os impostos destituem as empresas dos fundos com os quais comprariam bens de capital. Esse fato, juntamente com a grande despesa governamental com bens de consumo — despesa essa financiada pelo dinheiro dos impostos arrecadados —, faz com que a produção de bens de capital caia em relação à produção de bens de consumo. E isso implica a redução do grau de intensividade de capital do sistema econômico, o que faz diminuir a capacidade de se obter avanços tecnológicos. O imposto de renda de pessoa física e jurídica, bem como o de ganhos de capital, também reduz poderosamente o incentivo para se introduzir novos produtos e aprimorar os métodos de produção. De todas as formas, esses impostos solapam a acumulação de capital e o aumento na produtividade do trabalho, o que trava aumentos salariais e consequentemente o padrão de vida de todos — e não apenas daqueles sobre quem os impostos recaem."

George Reisman, Ph.D. Autor do livro Capitalism: A Treatise on Economics.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Economia agroexportadora – Ciclo do café


Desde sua colonização até o ano de 1930, o Brasil apresentou uma economia agroexportadora. Ou seja, o bom desempenho da economia dependia da exportação das poucas commodities agrícolas, que com o tempo variou os produtos a serem exportados para o mercado internacional em: ouro, açúcar, café, borracha e outros, formando os ciclos da economia brasileira. Entre esses ciclos o que apresentou maior desenvolvimento foi o ciclo do café.

A economia agroexportadora apresentava uma elevada vulnerabilidade visto que a demanda dependia das oscilações do crescimento mundial. Crises internacionais afetavam diretamente as exportações, criando dificuldades para toda economia brasileira já que todas as atividades dependiam direta ou indiretamente do desempenho do setor exportador cafeeiro.

Como o setor exportador cafeeiro era o setor mais produtivo e de maior dinamismo, existia uma elevada concentração dos recursos naturais e de capital. Essa concentração causava uma elevada desigualdade na distribuição de renda. Desigualdade essa, característica do modelo agroexportador.

O maior problema no sistema agroexportador adotado pelo Brasil era o descompasso entre a base produtiva e a estrutura de consumo, ou seja, a exportação é uma das únicas bases que determinava a renda nacional. Não havia investimentos em bens de consumo ou tecnologia por exemplo; tudo era importado. Deste modo, qualquer problema no balanço de pagamentos (diminuição de exportações ou guerras) poderia ocasionar uma diminuição das importações, afetando diretamente as condições de consumo da população.




Um dos problemas da economia agroexportadora são as oscilações de preço do produto exportado. Quando o preço subia aumentava a lucratividade e parte desse lucro era reinvestido no próprio setor. Porém, esse reinvestimento não aumentou a remuneração dos trabalhadores empregados no setor cafeeiro, mas sim a quantidade de funcionários, já que nessa época (final do séc. XIX) o contingente de trabalhadores aumentou significativamente ocasionado pelo aumento do fluxo imigratório e pelo fim da escravidão. Por outro lado, quando o preço caia, também não havia queda nos salários, mas sim no volume de trabalhadores.

Quando isso acontecia o governo utilizava dois mecanismos muito eficientes a curto prazo, porém, não positivos a longo prazo. Eram eles: A desvalorização cambial e a política de valorização do café.

Desvalorização cambial

O governo desvalorizava o câmbio fazendo com que, mesmo com a queda do preço no mercado internacional, os cafeicultores mantivessem renda (na moeda nacional). Essa medida escondia os sinais que a queda do preço sinalizava, um excesso de oferta, indicando a necessidade de reverter os investimentos. Isso fazia com que houvesse cada vez mais investimentos ao setor causando uma tendência de superprodução de café.

Essa desvalorização cambial era feita por meio da inflação, causando um encarecimento nos produtos importados, prejudicando toda sociedade que, por conta da economia agroexportadora, dependiam das importações.

Política de valorização do café

O governo comprava café para estocar, diminuindo a oferta e estabilizando o preço. Então o estoque era feito no período de safra e liberado no período de entressafra. Assim, durante a safra os preços cairiam menos e durante a entressafra os preços subiriam menos.

Essa política também escondia os sinais de mercado causando tendência à superprodução. Além disso, os preços do café eram sustentados por esta política, incentivando outros países a plantar café, aumentando assim a e concorrência internacional.

Nos últimos anos da República Velha o café era o produto que sustentava a economia brasileira e se encontrava em constante expansão.

Em 1930 a economia mundial entrou em uma das maiores crises da história. Essa crise causou uma enorme baixa no preço do café. O governo novamente interveio fortemente, comprando e estocando café e desvalorizando o câmbio para proteger o setor cafeeiro, principal setor na economia do Brasil! (na época). O setor não conseguiu repor os estoques no mercado sendo obrigado a queimar toneladas de café durante as décadas de 30 e 40.

A crise de 1930 também atingiu em cheio o Brasil. O “fracasso” do modelo agroexportador trouxe à tona a necessidade da industrialização. A industrialização, que já havia iniciado no fim do século XIX, se tornou meta prioritária de investimentos.

Haviam 2 teorias explicando a origem da industrialização nesse período.

A teoria dos choques adversos acreditava que as dificuldades de se importar produtos em determinados períodos (I guerra mundial, recessão de 30) impulsionaram o desenvolvimento da industrialização.

A industrialização induzida por exportações acreditava que nos momentos de expansão da economia cafeeira, consequentemente na expansão da renda, aumentava a demanda por produtos industrializados.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Inflação

É o aumento persistente dos preços em geral, resultando numa perda do poder aquisitivo da moeda.


Tipos de inflação / Processos Inflacionários

Inflação de Custos: Gerado pelo aumento dos custos de produção, especialmente das taxas de juros, de câmbio, de salários ou de preços das importações.

Inflação de demanda: Os preços sobem porque há aumento geral da demanda sem um acompanhamento no crescimento da oferta. Passa a haver muito dinheiro em frente a poucas mercadorias.

Inflação Reprimida: Gerado pelo congelamento dos preços por parte do governo. Aumenta o preço dos produtos, mas o salário não acompanha a velocidade do aumento.

EFEITOS DA INFLAÇÃO NA ECONOMIA

Efeito da inflação sobre a Distribuição de Renda

A inflação provoca uma redução no poder aquisitivo das pessoas que ganham salários fixos e nos proprietários de imóveis alugados, já que a valorização dos imóveis e os reajustes salariais tendem a crescer mais devagar que a inflação. Já os profissionais liberais, de renda livre, são favorecidos pelo processo inflacionário.

Efeito da inflação sobre a Alocação de Recursos

O processo inflacionário modifica o perfil de investimentos, já que os investidores tendem a alocarem seus recursos em projetos de curto prazo. Isso acontece porque ao alocarem recursos em processos de longo prazo, ao passar dos meses aquele dinheiro investido já não estará valendo o mesmo quanto na data de investimento.

Efeito da inflação sobre o Balanço de Pagamentos (comércio exterior)

Quando os preços internos aumentam mais que os internacionais, dificulta as exportações e estimula importações, diminuindo o saldo da balança comercial.

Taxa de juros Selic

A taxa Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia) é, no Brasil, a taxa de financiamento no mercado interbancário para operações de um dia ou overnight. Ela regula diariamente as operações interbancárias.

Ou seja, a taxa Selic é usada para operações de curtíssimo prazo entre bancos, que, quando querem tomar empréstimos de outros bancos por um dia oferecem títulos públicos como garantia passando o risco da transação para o governo.

Sendo assim, essa taxa acaba servindo de referência para todas as outras taxas de juros da economia. Ela varia praticamente todos os dias. Após o fechamento do mercado, o DEMAB calcula a taxa média ponderada de negociações pelo volume dos negócios realizados e terá a taxa Selic daquele dia. Também é chamada de Taxa básica.

domingo, 25 de abril de 2010

Objetivos e Metas da Economia

O Objetivo da economia é o desenvolvimento de melhores políticas que minimizem os problemas e maximizem os benefícios recebidos em troca do nosso esforço diário.

Existe um consenso que devemos procurar as seguintes metas:

1. Um alto Nível de Emprego. Define-se como uma importante meta e um objetivo da economia que é efetivamente a manutenção e a inclusão de um elevado nível de emprego.

2. Estabilidade de preço. Define-se como um equilíbrio da estabilidade de preço no mercado, ou seja, o controle efetivo do aumento ou da queda no nível geral dos preços. (Oferta/Demanda)

3. Eficiência. É a meta de obter o resultado máximo do esforço produtivo, na melhor aplicação da eficiência técnica, do tempo, da qualidade e eficiência na produção.

4. Uma distribuição equitativa da renda. Define-se como a melhor aplicação da riqueza oriunda dos fatores de produção na sociedade observando-se a qualidade de vida e as suas necessidades básicas prioritariamente. (Como a concentração da riqueza interfere no crescimento econômico)

5. O crescimento. Define-se como uma meta importante uma vez que possibilitará um padrão de vida mais elevado no presente e no futuro para a sociedade. (PIB)


Ficha da aula de economia.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Mercado e concorrência

Mercado

É um grupo de compradores e vendedores, que estão em contato suficiente para que suas trocas afetem as condições de compra e venda de produtos e serviços.

Existem diferentes tipos de mercado, entre eles se apresentam:

Mercado da concorrência perfeita (Mercado competitivo);
Mercado da concorrência imperfeita (monopolístico);
Mercado do monopólio (um vendedor);
Mercado do oligopólio (dois ou mais vendedores)

Clique aqui para ler os tipos exemplificados!

O mercado de oligopólio se caracteriza pelo pequeno número de empresas, economicamente fortes, que controla a oferta de um determinado bem ou serviço. Há um difícil acesso para a entrada de novas empresas no mercado. O setor brasileiro é altamente oligopolizado.

Escambo – É a troca entre comprador e vendedor sem uso da moeda.

Cartel – É um acordo entre duas ou mais empresas do mesmo ramo para tentar quebrar os concorrentes. Também é objetivo do cartel fixar e controlar os preços, controlar as fontes de matéria-prima (cartel de fornecedores). É uma atividade ilegal e causa enormes prejuízos para a economia e para a sociedade.

Demanda – A quantidade de bens e serviços que um consumidor estaria disposto a adquirir. Alguns fatores que determinam a demanda são: Renda do consumidor; preço dos bens e/ou serviços; preferência do consumidor.


Fisiocracia

2 DESENVOLVIMENTO

2.1 Origens e definição

O termo fisiocracia advém da escola fisiocrática, fundada no século XVIII, que é considerada a primeira escola da economia científica. Surgiu com o intuito de se opor as políticas mercantilistas que desempenhavam um papel intervencionista na economia e acreditavam que toda riqueza de um estado ou nação era obtida através do acumulo de metais preciosos como ouro e prata. Essa oposição era devida a idéia contrária da fisiocracia que consideravam a agricultura como fonte original de toda riqueza, porque somente ela permitia larga margem de lucros sobre um investimento pequeno. A terra era a única verdadeira fonte das riquezas. As outras formas de produção estavam meramente transformando produtos da terra, com menor margem de lucro.

Os pensadores fisiocráticos consideravam o sistema econômico como um "organismo" regido por leis intrínsecas (pela ordem natural das coisas), sendo elas assim, cientificamente relevantes. Assim, se os homens não colocassem obstáculos a essas leis a sociedade iria se configurar segundo um desenho necessário, com leis que irão se impor automaticamente à todas as pessoas.

Os fisiocratas surgiram na França com final do mercantilismo, por volta de 1756, com dois pensadores principais: Fraçois Quesnay e Jacques Turgot. Apesar de ter sido um movimento de oposição ao mercantilismo, a fisiocracia não se afastou totalmente do feudalismo, pois a França era um país essencialmente agrário.

Segundo esta escola, a sociedade pode ou não existir, mas existindo traz vantagens as pessoas que não poderiam ser obtidas de outra forma. Uma destas vantagens é a troca de mercadorias, que pode reduzir e integrar as atividades econômicas dos homens. Esta realidade é o ponto de partida da análise fisiocrática.

2.2 Pensadores e trabalhos realizados?

2.2.1 Quesnay

Quesnay (1964-1774) era francês, economista e médico da corte. Era considerado o líder dos fisiocratas. Seu sistema foi exposto através do Tableau de Économique (Quadro Econômico) que mostrava através de esquemas a relação entre os setores da sociedade e as classes econômicas, e os fluxos de pagamentos que ocorriam entre eles. Esse quadro foi usado para criar o conceito de equilíbrio econômico, usado até hoje nas análises econômicas.

A metodologia e os princípios políticos do sistema fisiocrata de Quesnay baseavam-se na doutrina da Lei Natural. Os pontos fundamentais da doutrina eram o pensamento de que o governo não deveria interferir nas operações econômicas, as quais deviam ser deixadas seguir livremente as leis econômicas naturais, e a crença de que a terra é a fonte de toda riqueza.

2.2.2 Turgot

Jacques Turgot (1727 -1781) foi um economista francês cuja obra é considerada um elo entre a fisiocracia e a escola de economia clássica. Aplicou com grande sucesso uma série de medidas destinadas a racionalizar a economia. Defendeu o livre comércio e a interdependência entre as diferentes classes econômicas. Devido ao sucesso, foi nomeado ministro-geral das Finanças.

Turgot tentou introduzir a teoria dos fisiocratas na economia da França propondo mudanças no sentido de reduzir os gastos da corte, libertar o comércio de taxas e de aduanas internas cobradas pelo Estado e por particulares, aumentar os impostos sobre a terra e aliviar a carga fiscal dos camponeses (abolir a taxa que os camponeses tinham que pagar por trabalhar). Além de apoiar a liberdade religiosa.

Suas propostas iam diretamente contra os interesses da burguesia e do clero lhes tirando certas mordomias e privilégios o que causou múltiplos protestos dos grandes proprietários de terras. As classes privilegiadas planejaram a sua queda, usando cartas forjadas e a influência da rainha Maria Antonieta e assim Em 1776 Turgot foi afastado, menos de dois anos após subir ao cargo e os principais fisiocratas foram exilados.

2.2 Contribuições?

É a partir da Fisiocracia que a atividade econômica passou a ser tratada cientificamente. Segundo RIMA (1977, p. 81) “O trabalho de Quesnay e seus discípulos marca o início da Economia como disciplina. Usando o processo de abstração, foram os primeiros a procurar a existência de leis gerais de acordo com as quais os fenômenos econômicos se comportam. Fechando o hiato entre a vontade livre e o Direito Natural que Há tanto tempo dividia a Teologia e a Ciência, estabeleceram o alicerce para o estudo sistemático de fenômenos sociais em um nível empírico. Os fisiocratas lidavam com fatos, os fatos de uma sociedade doente de abusos, já às vésperas de uma revolução; e dessas observações formaram sua teoria de uma economia funcionando de maneira ideal, que automaticamente tenderia a conseguir resultados ótimos não fossem os distúrbios introduzidos pelos seres humanos sem conhecimento a respeito da ordem natural. (...) criaram mais terreno para Adam Smith e todos os que seguiram e que usaram o método dedutivo.”

Embora a teoria da fisiocracia tenha uma série de limitações, foi de grande importância para a economia científica, visto que foi tomada como ponto de partida para a criação da teoria clássica de Adam Smith.

2.3 Curiosidades

Fisiocracia significa etimologicamente "governo da natureza" ou "lei da natureza". A característica de vinculação à natureza levava a tomar a agricultura como base econômica, em oposição aos chamados mercantilistas que colocavam ênfase na indústria e no comércio exterior.

Adam Smith e David Ricardo deram início à Escola Clássica e propuseram grandes alterações ao que havia sido exposto até então pelos fisiocratas e mercantilistas. Ambos surgiram explicando teorias até então nunca abordadas, como a teoria do valor, teoria do lucro, dentre outras alterações.

A fisiocracia não existia em 1750. Entre 1760 e 1770, Paris inteira, além de Versalhes, falava dela. Em 1780, quase todo mundo (exceto os economistas profissionais), já havia se esquecido dela.


Feito por: Marcelo Advíncula

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Resumo de economia

Aulas de economia 22/02/10 e 25/02/10

Economia é a ciência que estuda os recursos escassos diante dos desejos ilimitados da sociedade.

Sabemos que a sociedade não dispõe de recursos produtivos em quantidade suficiente para produzir tudo o que a população deseja. Sendo assim, toda sociedade, qualquer que seja sua organização política se defronta com três questões econômicas básicas decorrentes do problema de escassez.

O que e quanto produzir?

A sociedade deve escolher quais bens e serviços devem ser produzidos e em que quantidades.

Como produzir?

Qual conjunto de bens e serviços será produzido, mediante diferentes combinações de recursos e técnicas, buscando sempre o melhor custo benefício (Trade Off)

Para quem produzir?

Decidir os bens e serviços que deverão ser distribuídos entre os diferentes indivíduos, tendo como resultado final o bem estar da sociedade em questão.

A economia estuda a escassez de recursos, por isso se classifica como uma ciência social. O objeto de estudo da economia se concentra em 4 variáveis principais:

Produção

Circulação

Distribuição

Consumo

De bens e serviços.

A sociedade é organizada para desenvolver as 4 variáveis citadas acima, formando o sistema econômico. O sistema econômico conta com agentes econômicos que contribuem para o funcionamento desse sistema, são eles:

Pessoas de natureza física (CPF)

Pessoas de natureza jurídica (CNPJ)

Os agentes econômicos são interligados e interdependentes e podem ser classificados em: As famílias (unidades familiares); As empresas (unidades produtivas); O governo

O estudo da economia apresenta um só corpo de conhecimento, porém, com objetivos e métodos de estudo e abordagem de acordo em duas áreas de interesse:

Microeconomia

Macroeconomia

Microeconomia e Macroeconomia



Aula de economia 25/02/2010

Microeconomia

Trata do comportamento das unidades econômicas individuais (agentes econômicos) em mercados específicos, ou seja, como os produtores e consumidoresinteragem para a formação dos preços das mercadorias (como a oferta e demanda age na formação dos preços).

A microeconomia constitui base para qualquer ramo da economia. Por exemplo, para se analisar o efeito de um imposto sobre as finanças públicas utiliza-se o modelo microeconômico para mostrar como esse imposto influencia a oferta, a demanda, os preços, e assim poder definir quanto irá se lucrar com esse imposto, ou como ele afetará os fatores de produção.

Macroeconomia

Estuda as grandes e diferentes variáveis macroeconômicas tais como: Inflação, juros, câmbio, emprego, desemprego, comércio exterior (importação e exportação), PIB... A macroeconomia se preocupa com aspectos de curto prazo.

Os estudos macroeconômicos tiveram seu início a partir da quebra da bolsa de Nova Iorque em 1929. Amacroeconomia concentra-se no estudo das principais tendências (a partir de processos microeconômicos) daeconomia no que concerne principalmente à produção, à geração de renda, ao uso de recursos, ao comportamento dos preços, e ao comércio exterior. Os objetivos da macroeconomia são principalmente: o crescimento da produção e consumo, o pleno emprego, a estabilidade de preços, o controle inflacionário e uma balança comercial favorável.